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21/01/2020 às 15h31

Filhos presenciam a maioria dos casos de feminicídio em MS

Em Mato Grosso do Sul, mais da metade dos crimes registrados como feminicídio foram presenciados por crianças. No total, 57% das ocorrências aconteceram na frente dos filhos.


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Foto: Ilustrativa

A informação é do relatório estatístico de Poder Judiciário que constatou 72 filhos em comuns entre agressores e vítimas. Destes, 62 eram menores. São ao todo 96 casos de feminicídios denunciados ao Tribuna de Justiça de MS.

 

O caso de Yara Macedo dos Santos, 30 anos, é um exemplo. Ela foi assassinada pelo ex-marido no dia 25 de julho de 2019.

 

Edson Aparecido de Oliveira Rosa, 35 anos, encontrou a vítima e o filho do casal, de 14 anos, caminhando no Parque das Nações em Campo Grande.

 

Em discussão com a ex, Edson disparou contra a cabeça da mulher e fugiu. O filho não foi poupado de ver a mãe ser morta. Ela chegou a ser socorrida ao Hospital da Vida, mas antes de dar entrada na unidade já não apresentava mais sinais vitais.

 

O relatório foi divulgado nesta terça-feira (21) e tem como objetivo analisar a efetividade das medidas de segurança propostas pela Lei Maria da Penha às vítimas de violência doméstica cujo fim é a tentativa de assassinato, ou a consumação dele.

 

Segundo o balanço, dos 96 casos denunciados, 26% eram ‘amparadas’ por medidas de proteção à vítima. Os outros 74% sequer haviam denunciado atos de violência anteriores.

 

Dos instrumentos mais utilizados para tentar ou consumar o assassinato de mulher, a faca lidera o ranking dos casos (42%), seguido de arma de fogo (17%), asfixia (10%), facão, fogo e pedaços de madeira (4%), canivete (3%) e outros (16%).

 

Ainda, 14% dos casos de feminicídio analisados envolveram vítima ou agressor indígena, ao passo que, segundo o IBGE, a população indígena representa apenas 3% da população sul-mato-grossense.

 

“O sentimento de posse e o desprezo pela condição de mulher são motivadores dos crimes de feminicídio. Em 42% dos casos aparece a armação de que o agressor não aceitava o fim do relacionamento”, aponta o levantamento.

 

Para Vanessa Vieira, Assistente Social, Coordenadora de Políticas Judiciárias de Prevenção da Coordenadoria Estadual da Mulher, a violência contra a mulher, de forma geral, fundamenta-se no patriarcado, de raízes históricas e culturais que delega aos homens as funções de liderança, de controle, de domínio, de autoridade, tanto no ambiente público como no privado.

 

“Ao longo da história, a mulher e os filhos foram considerados parte do patrimônio do patriarca, sendo desprezados suas vontades e desejos, resultando em uma cultura que ainda hoje fundamenta os casos de violência doméstica, inclusive os casos de feminicídio.

 

Outra questão relevante a ser considerada, especialmente pelos profissionais das Redes de Enfrentamento e de Atendimento à mulher em situação de violência é o perigo que as mulheres são submetidas quando rompem uma relação abusiva, pois é expressivo o número de autores que por não aceitarem o fim do relacionamento, cometem feminicídio”, afirma.