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13/02/2020 às 14h03

Abraji não aceitará que assassinato de Leo Veras fique impune, diz presidente

Jornalista foi morto com 12 tiros enquanto jantava com a família em sua casa


Midiamax
Foto: Divulgação

Jornalista Léo Veras

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) falou nesta quinta-feira (13) que não aceitará que o assassinato do jornalista Leo Veras de 52 anos, morto com 12 tiros, na noite desta quarta-feira (12) em sua casa em Pedro Juan Caballero, na fronteira fique impune.

 

O presidente da Abraji, Marcelo Träsel afirmou em nota que irá cobrar agilidade das autoridades no esclarecimento das circunstâncias do crime.

 

“Todo assassinato de jornalista é uma tentativa de calar o mensageiro, comprometendo a liberdade de imprensa”, dia a nota.

 

“A Abraji se solidariza com a família, os colegas de profissão e os amigos do jornalista. E reitera a necessidade de autoridades acompanharem, com rigor, ameaças a jornalistas e comunicadores. É dever do Estado prover todos os meios possíveis para garantir a segurança dos profissionais de imprensa”.

 

O jornalista foi assassinado com 12 tiros enquanto jantava com sua família, em sua casa em Pedro Juan Caballero. Os três pistoleiros invadiram a residência e fizeram vários disparos contra Leo, que tentou fugir.

 

Todos os tiros foram feitos pelas costas e um dos disparos contra a cabeça do jornalista que já estava caído no chão.

 

Ele chegou a ser socorrido e levado para o hospital, mas não resistiu e morreu. O celular, computador e câmeras de segurança que ficam nos arredores da casa do jornalista foram apreendidos pela polícia paraguaia, que já teria informações dos suspeitos pelo crime.

Confira a nota na íntegra

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) lamenta a morte do jornalista brasileiro Lourenço Veras, conhecido como Léo Veras, assassinado com 12 tiros na cidade paraguaia Pedro Juan Caballero na noite de quarta-feira (12.02.2020).

 

Veras respondia pelo site de notícias Porã News, que noticia a disputa do narcotráfico na fronteira entre Brasil e Paraguai, e já havia recebido ameaças de morte.

 

A Abraji também cobra agilidade das autoridades no esclarecimentos das circunstâncias do crime.

 

Todo assassinato de jornalista é uma tentativa de calar o mensageiro, comprometendo a liberdade de imprensa.

 

Léo Veras trabalhava havia mais de 15 anos na região de Pedro Juan Caballero, que faz fronteira com a cidade sul-mato-grossense de Ponta Porã, uma das principais portas de entrada de drogas e armas no Brasil.

 

Em 19.01.2020, a cidade paraguaia foi palco da fuga de 75 presos, a maioria ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital), da penitenciária regional.

 

Fontes próximas a Léo Veras relataram para a Abraji que o jornalista estava receoso com a situação e possíveis desdobramentos. 

Em jan.2020, reportagem do Domingo Espetacular, da Rede Record, entrevistou o jornalista, que afirmou sofrer ameaças por mensagens de texto no celular, que o mandavam “fechar a boca”. Em 2017, Léo Veras falou com o Programa Tim Lopes, projeto da Abraji, sobre o assassinato dos colegas jornalistas Paulo Rocaro e Luiz Henrique “Tulu” em Ponta Porã. Na época, Veras relatou que ele e a esposa quase não participavam de eventos sociais públicos, por medo da violência: “Eu sempre peço que não seja tão violenta a minha morte, com tantos disparos de fuzil”.

De acordo com a Polícia Nacional do Paraguai, o jornalista foi atingido por cerca de 12 tiros de pistola 9 milímetros.

 

Um dos disparos acertou a sua cabeça no momento em que tentava correr dos assassinos. Veras chegou a ser socorrido e encaminhado para um hospital particular da cidade paraguaia, mas não resistiu.

A Abraji se solidariza com a família, os colegas de profissão e os amigos do jornalista. E reitera a necessidade de autoridades acompanharem, com rigor, ameaças a jornalistas e comunicadores.

 

É dever do Estado prover todos os meios possíveis para garantir a segurança dos profissionais de imprensa.

 

A Abraji também está avaliando a inclusão do caso no Programa Tim Lopes, que apura assassinatos de jornalistas e comunicadores no exercício da profissão.

 

Atualmente o programa investiga as mortes dos radialistas Jefferson Pureza (GO) e Jairo de Sousa (PA).