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09/04/2019 às 10h26

Restrição alimentar dificulta perda de peso com saúde

Se privar de algum tipo de alimento pode comprometer o funcionamento do organismo, principalmente se feito sem recomendação médica


Meu estilo / R7
Foto: Pixabay

Ninguém consegue ficar sem carboidratos a vida toda

A adoção de hábitos alimentares mais saudáveis é uma ferramenta poderosa para transformar a qualidade de vida, mas muita gente insiste em seguir dietas que prometem a perda de peso rápida, eliminando das refeições alguns tipos de nutrientes. 

 

"A maior parte da população não tem necessidade de restrição de nutrientes. O ideal é uma alimentação variável. Para restringir algum nutriente, o ideal é ter orientação médica", avalia endocrinologista da Endoclinica São Paulo, Tatiana Denck Gonçalves.



Quem tem diabetes, por exemplo, deve evitar o consumo de açúcares, e o ideal, segundo a dra. Tatiana, é evitar ou reduzir o consumo de alimentos com alto índice glicêmico, como doces, massas, pães e rerigerantes.

 

O colesterol alto também exige controle de pães, massas, carnes vermelhas, ovos, que, se consumidos em excesso, podem os aumentar os índices desso gordura encontrada em nosso organismo. O colesterol é o componente estrutural das membranas celulares e está presente no coração, cérebro, fígado, intestinos, músculos, nervos e pele. O corpo usa o colesterol para produzir alguns hormônios, como vitamina D, testosterona, estrógeno, cortisol e ácidos biliares que ajudam na digestão das gorduras.

 

O consumo de grandes quantidades de alimentos ricos em gordura, sobrecarrega o fígado, que acaba produzindo mais colesterol do que o normal. Essa produção adicional leva a um nível não saudável de colesterol. Tanto as taxas de colesterol muito altas quanto as muito baixas são perigosas à saúde.

 

Quem sofre de pressão alta também deve reduzir o consumo de sal na dieta e, consequentemente, reduzir a ingestão de produtos industrializados e enlatados.

 

Paciente que tem doença celíaca, por exemplo, precisa eliminar o consumo de glúten, pois o alimento desencadeia um problema de forma imediata. "Vai ter diarreia, vai ter dor abdominal", explica a médica.

 

Já a intolerancia à lactose, que virou moda, atinge muito pouca gente, garante a dra. Tatiana. "O bebê ingere muito mais leite e produz a enzima lactase, que quebra  a lactose. Se um adulto para de ingerir leite, vai reduzir a produção dessa enzima. Quando tem exposição ao leite, após um período sem consumir leite, pode vir a ter uma indisposição, daí acha que tem intolerância, e corta o leite", analisa Tatiana Denck Gonçalves.

 

Segundo a médica, a falta do leite aumenta o risco osteoporese. "Pode tomar leite sem lactose. O consumo não tem nada a ver com peso. É perigoso tirar leite e derivados da dieta diária", garante.

 

Riscos das restrições

 

Existem muitos tipos de dietas e o primeiro ponto é que o objetivo não pode ser só perder peso, mas perder peso com saúde.



"Quem tira o carboidrato, não vai ter disposição para fazer atividade física, vai ficar mais fraco, mais irritado. Pode até perder peso, mas não vai conseguir manter isso pra vida toda. Quando voltar a comer normalmente, a tendência é recuperar tudo, ou até mais. O efeito rebote é pior", explica a endocrinologista.

 

A reeducação alimentar resulta em uma perda de peso mais lenta, mas é possível fazer para o resto da vida.



O ideal, de acordo com a dra. Tatiana, é começar não radicalizando, ir diminuindo aos poucos o consumo de doces, de álcool, e associar a uma atividade física. 

 

"O objetivo é perder peso e não recuperar. O mais difícil é a manutenção. A conta é simples: reduzir a ingestão de calorias e aumentar o gasto. Se cortar algum tipo de alimento, uma hora o paciente não aguenta", alerta a médica.



"Quem radicaliza chega desanimado, acha que sofreu por nada, mas, na verdade, fez o esforço errado. Era pra ter feito dieta conscientemente, retirando calorias, de doces, frituras, álcool. Com uma dieta saudável é possível perder de 2 a 4 quilos por mês. E não recuperar mais."