Surto de Coronavírus na China deve impactar agronegócio em MS

A China é um dos principais compradores de soja e de carne de frango dos produtores sul-mato-grossenses

MIDIAMAX


O surto de Coronavírus que tem tomado conta da China pode gerar impacto na economia do país, especificamente em Mato Grosso do Sul. A disseminação da doença, que tem deixado o mundo todo em alerta, deve influenciar o agronegócio.

Nesta semana, executivos da JBS e da BRF, ambas com indústria em MS, avaliaram que a epidemia da doença deve gerar demandas agressivas de compradores chineses no mercado do Brasil. De acordo com o G1, presidente da BRF, Lorival Luz, afirmou que a epidemia pode aumentar vendas de produtos de carne congelados e processados na China “por motivos de segurança alimentar”.

Apesar de não se pronunciar sobre a produção industrial sul-mato-grossense, a JBS, por meio do presidente, Gilberto Tomazoni, afirmou que as importações de carne devam atingir seu auge em 2020.

Vale lembrar que, após um surto de peste suína africana que acabou com rebanho de porcos no país, as exportações de carne do Brasil para a China saltaram e o preço do quilo da peça nos mercados e açougues brasileiros aumentou até 13,39%, e nos restaurantes, os preços nos cardápios dispararam por conta da procura externa.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da JBS em Mato Grosso do Sul, mas a empresa tem preferido não se posicionar sobre o assunto.

China: um dos principais compradores de MS

O país asiático é considerado um dos principais compradores comerciais de Mato Grosso do Sul, como a soja, produtos florestais e a carne de frango e, por isso, os pecuaristas e produtores já aguardam afeitos por aqui.

Conforme o departamento técnico do Sistema Famasul as consequências do coronavírus no mercado econômico da China podem interferir nas exportações dos produtos sul-mato-grossenses.

“O impacto no desempenho econômico da China, fruto dos efeitos do coronavírus, pode interferir nas exportações desses e outros produtos agropecuários, entretanto é cedo para inferir se essa interferência será positiva ou negativa”, disse por meio de nota.

A Famasul esclareceu que está monitorando a situação dos impactos na economia e analisa os dados oficiais das exportações do mercado de MS.

Origem

Ainda não se sabe exatamente a origem do vírus. Ele foi identificado pela primeira vez durante uma investigação laboratorial de casos de pneumonia em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, na China. Desde então, milhares de casos foram confirmados.

Autoridades chinesas informam que até o momento, 132 pessoas morreram em decorrência do surto de coronavírus. O número de infecções confirmadas já chega a 5.974, com mais de mil pessoas em estado grave.

Como a doença é nova, não há vacina ou medicamento específico até o momento. Cientistas, universidades e centros de controle de doenças de vários países estão em busca de formas de neutralizar o vírus.

Chegada do vírus no Brasil

Conforme o Ministério, os pacientes se enquadraram na atual definição de caso suspeito para nCoV-2019 (o novo coronavírus), estabelecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Os pacientes apresentaram febre e, pelo menos um sinal ou sintoma respiratório, e viajaram para área de transmissão local nos últimos 14 dias.

 

O Ministério da Saúde informou que está monitorando três casos suspeitos de coronavírus no país.  Além do caso de Belo Horizonte, em Minas Gerais, os novos casos monitorados foram registrados em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e Curitiba, no Paraná.

 

Em Mato Grosso do Sul, a SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde) já orientou os municípios do estado e conta com apoio técnico do Hospital Universitário.

 

Conforme a assessoria de imprensa da secretaria, o Estado está preparado para atender os casos suspeitos do vírus, de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde e, com o auxílio de um especialista em infecção, já conversou com todas as 79 cidades de MS.

 

“A SES está acompanhando a situação e elaborando estratégias de ações referente ao Coronavírus. Foi encaminhada nota técnica aos profissionais de saúde dos 79 municípios orientando sobre como proceder com os casos suspeitos e de como proceder com a coleta de amostras para exames”, disse trecho de nota.

 

Caso algum paciente apareça com os sintomas do vírus, ele deverá ficar em isolamento na unidade onde deu entrada e, caso seja necessário a transferência, ele será encaminhado para o hospital de referência de cada microrregião.

 

Para a investigação e análise dos casos, a SES está contando com o apoio dos médicos infectologistas do HU.

 

A Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) publicou uma orientação através das suas redes sociais e reforça que não há motivo para pânico, afinal, ainda não há nenhum caso confirmado de coronavírus na América do Sul.

 

Em caso de atendimento de casos suspeitos, a orientação no atendimento é de isolamento do paciente. É preciso utilizar máscara cirúrgica e o paciente deve ser mantido em um quarto privativo.



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