Cidades / Deodápolis
DEODÁPOLIS: Produtora de bicho da seda alega prejuízo com pulverização de agrotóxicos
Deodapolisnews
Uma produtora de Deodápolis manifestou sua indignação nas redes sociais após sofrer prejuízos significativos na criação de bichos-da-seda devido à pulverização de agrotóxicos na região. Em um vídeo, ela mostrou as lagartas que deveriam estar formando casulos, mas que foram afetadas pelos produtos químicos, impossibilitando a produção do fio da seda.
"A gente é produtor de bicho-da-seda, produz a seda, e olha aqui, as lagartas são a coisa mais linda. Mas um avião passou pulverizando veneno e agora, na hora de fazer o casulo, elas não conseguem produzir o fio da seda. A gente fica decepcionado, porque isso significa prejuízo", desabafou a produtora.
A pequena produtora, que contava com uma boa colheita para quitar dívidas, viu sua situação financeira piorar. Com dois barracões de produção, esperava colher cerca de 400 quilos de casulo. O prejuízo estimado é de aproximadamente R$ 10 mil.
Diante da situação, um representante do Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) foi chamado para coletar amostras dos bichos-da-seda e analisar se houve contaminação por agrotóxicos e qual substância foi utilizada.
Casos semelhantes na região
Essa não é a primeira vez que produtores de seda sofrem com os impactos da pulverização de agrotóxicos. Em 2024, a Usina Adecoagro Vale do Ivinhema S/A e a Dimensão Viação Agrícola tiveram um processo, no qual tiveram que indenizar sericultores em R$ 612 mil, após danos ambientais causados por agrotóxicos nos canaviais de Glória de Dourados. A pulverização exterminou bichos-da-seda e comprometeu a produção de seda na região.
A indenização previa:
-R$ 250 mil para um projeto ambiental indicado pelos cooperados;
-Criação de um Comitê de Avaliação de Novas Reclamações e Protocolo de Solução de Conflitos;
-Transparência na atividade de pulverização aérea;
-Investimento social de R$ 362 mil em favor da Associação dos Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul.
O caso foi registrado em um inquérito civil publicado no Diário Oficial do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Agora, os produtores de Deodápolis aguardam investigação e esperançam uma solução para evitar novos prejuízos.
