Editorias / Geral
Taxa de assassinatos de mulheres diminui, mas MS continua acima da média nacional
Ivi Notícias/DOURADOSNEWS
A taxa de homicídios de mulheres diminuiu significativamente em Mato Grosso do Sul em um período de dez anos. No entanto, o Estado continua com uma proporção de mortes femininas acima da média nacional, conforme apontam os dados do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira, dia 26, pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
A queda é de 40,9% no período de referência do estudo. A taxa passou de 6,6 a cada 100 mil habitantes em 2014, para 3,9 em 2024. Apesar da redução, o Estado ainda está acima da média nacional que é de 3,4.
“Diante da impossibilidade de distinguir diretamente, no sistema de saúde, os homicídios de mulheres dos feminicídios, o local onde ocorreu a agressão torna-se um importante indicativo do contexto da violência”, detalha o estudo. A proporção no país é de 35,2% dos casos de homicídio ocorridos em residências, sendo que 40,3% do total das mulheres assassinadas foram vítimas de feminicídio, conforme a metodologia do Altas. Ambos apontando para uma crescente.
O aumento nos casos assassinato que envolvem menosprezo a vítima por ser mulher, pode estar associado aos avanços das instituições em identificar esse tipo de motivação, especialmente em casos que ocorrem fora de casa.
“Nessa perspectiva, casos que anteriormente não eram tipificados como feminicídio, por não terem ocorrido em residências, passaram a ser reconhecidos como tal, o que pode ser entendido como um sinal positivo de maior conscientização sobre o fenômeno e de qualificação das instituições responsáveis por seu registro e tratamento”, detalha o estudo.
A queda da quantidade de mulheres assassinadas ainda é maior do que a taxa de homicídio quando considerada toda a população. Essa é de 20 mortes a cada cem mil habitantes, representa uma redução 30,3% em dez anos, e se coloca abaixo da média nacional de 23,4.
INDÍGENAS
Outro dado que chama a atenção, é a taxa de mortes de indígenas. No Altas, o relatório coloca Mato Grosso do Sul como se mantando como o caso mais crítico do Centro-Oeste, apesar da tendência de queda ao longo das décadas.
Enquanto em 2014 a taxa era de 348,2 mortes a cada cem mil indígenas, em 2016 o número caiu para 470 e, em 2024, chegou a 122,8.
Conforme o Atlas, “em termos absolutos, foram contabilizados 34 homicídios no mesmo ano. Esse aparente paradoxo - redução relativa acompanhada de manutenção em patamares elevados - evidencia a persistência de um contexto de violência crônica, no qual, mesmo com avanços, o risco de vitimização permaneceu acima da taxa nacional”, que é de 24,6.
O estudo ainda observa sob o ponto de vista do país que a violência letal contra a população indígena está enraizada em dinâmicas territoriais específicas. “Diferentemente do padrão predominante de homicídios no país, associado à violência urbana e ao crime organizado, a violência contra a população indígena tende a se concentrar em áreas de fronteira econômica, marcadas por disputas territoriais e pela inserção periférica em circuitos econômicos, sejam eles legais ou ilegais. Trata-se, portanto, de uma violência fortemente territorializada, intimamente vinculada a contextos de conflito socioambiental”, acrescenta.
