'Está assustado', diz advogado de garoto de 12 anos suspeito de incendiar amigo

Menino foi apreendido pela Deaij e vítima de 11 está internado com queimaduras em 85% do corpo

Ivi Notícias/Campo Grande News


Apreendido por suspeita de queimar o amigo, menino de 12 anos está muito assustado e aguarda para ser ouvido por um promotor da Veca (Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente). O caso aconteceu na tarde de terça-feira (4), na residência do garoto na Vila Popular, em Campo Grande.  A vítima de 11 anos teve ferimentos em 85% do corpo e está internado em estado grave na Santa Casa.

De acordo com o advogado Matheus Alves, o menino está muito preocupado com o estado de saúde do amigo. “Ele está muito assustado. O pai, que é o único responsável por ele, já está acompanhando toda a situação, inclusive, ontem, quando tive acesso ao inquérito, ele ainda não tinha dimensão da gravidade do caso', esclareceu o defensor.

Por se tratar de adolescente, ele explicou que o trâmite jurídico segue diretrizes diferentes das aplicadas a adultos. O caso é apurado como ato infracional análogo a crime e, portanto, não prevê a realização de audiência de custódia.

“Hoje vou despachar com a delegada responsável pela investigação para compreender melhor os próximos encaminhamentos', afirmou Matheus.

O próximo passo formal da investigação será a realização de uma Oitiva Informal perante um Promotor de Justiça da Veca. Na ocasião, o garoto será ouvido na presença do pai e de seu advogado defensor para apresentar sua narrativa sobre o ocorrido.

“Após essa etapa, o Ministério Público poderá adotar uma das seguintes medidas: promover o arquivamento do procedimento, conceder remissão (com perdão ou suspensão do procedimento mediante eventual cumprimento de medidas socioeducativas), oferecer representação ou adotar medidas de proteção, conforme entender cabível diante das circunstâncias do caso', finalizou.

Estado de saúde 

O garoto de 11 anos segue internado em estado gravíssimo após ter cerca de 85% do corpo atingido por queimaduras. Ao Campo Grande News, a mãe do menino contou que soube do acidente enquanto trabalhava e nem imaginava que o filho havia faltado na escola.

'Eu nem sabia que ele tinha ido para lá. Eles nem tinham mais amizade. Eu não sei por que eles se encontraram. Eu já tinha afastado ele daquele menino. Não sei por que ele foi para lá. Eu vi toda a pele saindo do corpo dele. Agora eu vou entrar para vê-lo de novo e não sei como vou encontrar meu filho. Não sei se ele vai sobreviver', disse.

Já o pai do adolescente de 12 anos alegou estar arrasado com tudo e acreditar que tudo não passava de um acidente. 'Não sei por qual motivo deixaram ele retido. Querendo ou não, foi uma brincadeira e teve um acidente. Eu deixo ele em casa porque já tem 12 anos, mas nunca imaginei que ia acontecer uma coisa dessas. A gente nunca espera. Agora estou arrasado e me preocupo mais com o menino que está internado, porque ele ainda é uma criança. Se nós, adultos, já não suportamos uma dor dessa, imagina uma criança. Fico pensando na mãe dele também', lamentou o homem.

Investigação

Enquanto a família aguarda a recuperação da criança, a investigação passou a seguir outra linha. A delegada Daniela Kades, da Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude), informou ao Campo Grande News que o caso deixou de ser tratado apenas como um acidente após o relato feito pela própria vítima antes de ser intubada.

Segundo a delegada, o menino afirmou aos profissionais de saúde que o colega teria ateado fogo nele após uma discussão. A versão contradiz o depoimento do adolescente de 12 anos, que disse à polícia que os dois brincavam com álcool quando o combustível entrou em combustão acidentalmente.

Por isso, o caso passou a ser investigado como ato infracional análogo à tentativa de homicídio.

O pai do adolescente afirmou à reportagem que está 'arrasado' com o ocorrido e disse acreditar que tudo aconteceu durante uma brincadeira. 'Nunca imaginei que aconteceria uma coisa dessas. Me preocupo principalmente com o menino que está internado', afirmou.

Agora, a Polícia Civil busca esclarecer qual das versões corresponde ao que ocorreu na tarde de terça-feira (4). Enquanto isso, caberá à Justiça da Infância decidir se o adolescente responderá em liberdade ou será submetido à internação provisória durante a investigação.


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