Motorista de aplicativo preso em operação contra venda clandestina de perfumes árabes é solto

A Operação Perfume de Mulher foi deflagrada na terça-feira, quando durante as buscas, os policiais encontraram as munições

Ivi Notícias/Midiamax


O motorista de aplicativo, de 54 anos, preso durante a Operação Perfume de Mulher ao ser flagrado com 15 munições de calibre restrito, foi solto nesta quarta-feira (23), durante a audiência de custódia, em Campo Grande. As munições, que, segundo o alvo, teriam sido adquiridas há cerca de 35 anos no Exército Brasileiro, estavam guardadas em uma casa no Jardim Santa Emília.

Durante as buscas na residência do alvo, no âmbito da operação deflagrada na terça-feira (22), pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, em uma caixa foram encontradas 13 munições calibre .762 e outras duas calibre .9mm, somando 15 munições da marca CBC.

Diante da situação de flagrante, o motorista de aplicativo foi preso e encaminhado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol. Durante o seu depoimento, ele afirmou ter adquirido as munições ainda quando estava no Exército, durante uma espécie de descarte, há cerca de 35 anos.

“Está há muito tempo comigo; há 35 anos eu tenho. Quando eu estava no quartel, estava fazendo limpeza no paiol. O sargento falou: ‘essas coisas aqui é descarte’. Eu falei: ‘Vou pegar um desses aqui para mim de recordação, porque estava vencida, né? Não tinha serventia nenhuma’. Peguei para fazer um chaveiro”, disse o alvo durante depoimento.

Já na manhã desta quarta-feira (23), ele passou por audiência de custódia. Oportunidade em que o Juiz de Direito converteu a prisão em flagrante em liberdade provisória com algumas medidas cautelares, sendo que terá que manter seu endereço atualizado e comparecer a todos os atos do processo.

Operação Perfume de Mulher

Na manhã de terça-feira (22), foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e 1 de prisão no estado sul-mato-grossense, em São Paulo e em Pernambuco. Foram R$ 100 milhões em bens e valores apreendidos.

Equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) acompanharam o cumprimento dos mandados. Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, quatro viaturas do MPU (Ministério Público da União) e uma da Receita Federal chegaram a uma residência no bairro Vivendas do Bosque antes das 5h30.

O grupo começou a ser investigado após apreensões entre 2024 e 2026, quando os órgãos registraram mais de 20 apreensões vinculadas à organização. Em outubro do ano passado, aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente foram apreendidos.

As investigações revelaram que os perfumes, sobretudo da linha árabe, entravam de forma clandestina no Brasil por meio de Ponta Porã — fronteira com o Paraguai. Os produtos eram guardados em depósitos clandestinos, inicialmente em Campo Grande, e, depois, em outros centros de distribuição em São Paulo e Pernambuco.

A partir desses pontos, os investigados distribuíam os produtos para vários estados, sendo que a venda era feita, principalmente, pelas redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico. Inclusive, influenciadores participavam das vendas para impulsionar a divulgação.

O grupo se identifica como “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil” e já revendeu inúmeros perfumes em todo o país.

De acordo com o MPF, os investigados apresentavam notas fiscais fraudulentas, com declarações de conteúdo falsas, e usavam diversas pessoas jurídicas para conferir aparência de legalidade às operações comerciais.

Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por intermédio de empresas de fachada, utilização de “laranjas”, ocultação patrimonial e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados.

Com o avanço das investigações, foi identificado o uso de criptoativos em negociações com fornecedores do exterior. Uma movimentação de mais de R$ 300 milhões foi identificada nas contas bancárias relacionadas aos investigados.


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