Quadrilha que ostentava carros e armas é condenada a mais de 42 anos de prisão

Investigação começou após captura pelo assassinato de Gabriel Brandão Mendonça, em dezembro de 2024

Ivi Notícias/Campo Grande News


A investigação desencadeada após a prisão de Lucas Pereira da Costa e Pedro Augusto Targino, suspeitos da execução de Gabriel Brandão Mendonça, ocorrida em dezembro de 2024, em Campo Grande, resultou na condenação de seis pessoas por lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e posse de arma de fogo de uso restrito. A quadrilha foi alvo da operação Facilem Vitam, deflagrada pela Garras (Delegacia de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros).

O caso que começou na investigação do homicídio revelou um esquema de ostentação e ocultação de bens financiado pelo tráfico de drogas. As apurações policiais resultaram na apreensão de veículos de luxo e na deflagração da operação que desarticulou a rede de movimentações financeiras em fevereiro de 2025.

Na decisão judicial, o juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, condenou Matheus Henrique Lemos Diniz, apontado como um dos principais operadores das movimentações financeiras e do comércio de entorpecentes. Ele foi sentenciado a 14 anos, 8 meses e 15 dias de reclusão em regime fechado pelos crimes de tráfico de drogas, posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e lavagem de capitais.

Raphael de Souza recebeu pena de 10 anos de reclusão, também em regime fechado, por tráfico de drogas e posse de arma de fogo de uso restrito.

Já a investigação sobre a dissimulação do patrimônio resultou nas condenações por lavagem de capitais de Lucas Pereira da Costa (5 anos, 5 meses e 27 dias de reclusão em regime fechado), Augusto Cezar Pires da Costa e Claudilene Teixeira de Arruda (ambos a 4 anos, 8 meses e 15 dias em regime semiaberto). Ketlyn Santana da Costa e Luiz Henrique Santos de Oliveira foram condenados a 3 anos em regime aberto, com penas privativas de liberdade substituídas por restritivas de direitos.

Apesar de o conjunto de provas ter sustentado a materialidade do tráfico, da lavagem e das armas, o magistrado absolveu todos os réus das acusações de integrar organização criminosa e de associação para o tráfico por insuficiência de provas.

Já Nathalia de Oliveira Teixeira e Elizangela da Silva Lemos foram integralmente absolvidas de todas as acusações apresentadas pelo Ministério Público.

A sentença decretou ainda a perda, em favor do Estado, dos bens de alto padrão apreendidos ao longo das apurações policiais e da instrução processual. Entre os itens confiscados estão um automóvel Porsche Boxster, uma picape Toyota Hilux, um utilitário VW Nivus, uma motocicleta BMW e um jet ski Sea-Doo, além de R$ 22,5 mil em espécie recolhidos com os alvos.

A defesa dos envolvidos ingressou com embargos de declaração solicitando o esclarecimento de pontos omissos na dosimetria, a revisão do regime de bens e a restituição de objetos pessoais e de meação pertencentes às absolvidas. O recurso pendente aguarda manifestação do juízo.

Operação - A ação foi deflagrada no dia 3 de fevereiro do ano passado. Na ocasião, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, 13 nos bairros Aero Rancho, Centenário, Guanandi, Los Angeles e Portal Caiobá, além de dois no município de Corumbá - a 428 km da Capital.

A investigação que resultou na operação começou após a prisão de Lucas Pereira da Costa e Pedro Augusto Targino pelo assassinato de Gabriel Brandão Mendonça em dezembro de 2024. Os policiais cumpriram buscas em endereços ligados aos dois nos bairros Jardim dos Estados e Portal Caiobá, onde foram encontrados quatro quilos de cocaína, diversos aparelhos celulares, pistola 9 milímetros e espingarda calibre 12.

Depois dessas diligências nos endereços de Lucas, foi pedido a quebra do sigilo do rapaz e a equipe investigativa da Garras fez análise dos dados bancários, financeiros e telefônicos do suspeito e de Pedro, que morava no mesmo endereço. Foi então que a Polícia Civil descobriu a quadrilha especializada no tráfico de drogas e que praticava também lavagem de dinheiro, porte de arma de fogo e homicídios na disputa por território.

Segundo a investigação, Lucas teria envolvimento direto com o tráfico de drogas na região do Bairro Moreninhas e adjacências “possuindo contato direto com fornecedores de cocaína de Corumbá' e que os homicídios investigados pela DHPP estariam ligados diretamente à disputa pelo comércio de entorpecentes na região sul de Campo Grande, onde o rapaz foi criado e estava atuando no crime, como “fornecedor em grande escala' na maioria das vezes.

Foram expedidas ordens judiciais de busca e apreensão, bem como de prisão temporária em nome dos envolvidos na organização criminosa. Além de Pedro e Lucas, que já estavam presos por conta do assassinato de Gabriel, foram alvos da operação Augusto Cézar Pires da Costa, Claudilene Teixeira de Arruda, Luiz Henrique Santos de Oliveira, Vivian dos Santos Paiva, Raphael de Souza, Ketlyn Santana da Costa, Elizandra da Silva Lemos e Lucas Henrique Santos de Oliveira.


Comentários