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DEODÁPOLIS: Câmara gasta quase R$ 800 mil em diárias e inscrições para cursos em 2025
Diárias, cursos e viagens ao Paraná levantam questionamentos sobre gastos na Câmara de Deodápolis
Deodapolisnews
A Câmara Municipal de Deodápolis voltou a ganhar destaque no cenário estadual — desta vez não por projetos ou debates legislativos, mas pelo volume de recursos públicos destinados a diárias e inscrições em cursos, muitos deles realizados no Paraná.
Dados do Portal da Transparência mostram que, somente em 2025, foram registradas centenas de viagens, somando R$ 526.330,00 pagos em diárias ao longo do ano. Até o momento. Um ritmo intenso de deslocamentos que chamou a atenção de moradores e gerou debates nas redes sociais.
Entre os parlamentares com maiores valores gastos está o presidente da Casa, Carlos de Lima Neto Júnior (Juninho Lima), que inicialmente teve R$ 55.540,00 empenhado em diárias, com R$ 4.800,00 posteriormente anulados, totalizando R$ 50.740,00 em 2025. Foram cerca de oito viagens para Maringá (PR).
Outros vereadores também aparecem com valores semelhantes:
Fernanda Maiara Casusa – R$ 50.080,00
Wanderley de Assis Batista Carvalho (Wan do Porto Vilma) – R$ 50.080,00
Elvis Pereira de Lima – R$ 50.080,00
Edmilson Prates de Souza – R$ 49.080,00
Cícero Alexandre – R$ 48.690,00
Francisco Euzébio – R$ 43.920,00
Gilberto Dias Guimarães – R$ 41.340,00
Donizete José dos Santos – R$ 39.360,00
Curiosamente, apenas dois vereadores não embarcaram para o Paraná ao longo do período foram Francisco Euzébio (Chico) e Gilberto da Nona.
Outro dado que chama atenção é que os gastos dos vereadores com diárias superam os do próprio prefeito, que, mesmo cumprindo agendas frequentes em outras cidades, somou R$ 34.625,00 em despesas do mesmo tipo.
CURSOS PAGOS
Além das diárias, a Câmara também custeia as inscrições em cursos, seminários e eventos. Em 2025, foram R$ 299.830,00 empenhados, com R$ 268.717,00 já pagos. Parte significativa dessas inscrições também se refere a eventos realizados no Paraná, especialmente em Maringá.
É aí que surge a dúvida levantada por moradores, se os mesmos cursos são oferecidos em Mato Grosso do Sul, muitas vezes com custo menor, por que a preferência por atravessar a divisa do Estado? Seria apenas coincidência geográfica ou a didática paranaense estaria mesmo mais atrativa?
Nas redes sociais, a população questiona não apenas a necessidade das viagens, mas também a fiscalização desses gastos, levantando o debate sobre a efetividade do aprendizado e o retorno prático dessas capacitações para a comunidade local.
“AMPARADA PELA LEGISLAÇÃO”
Em nota divulgada recentemente por um veículo da capital, o presidente da Câmara afirmou que todos os gastos estão dentro da legalidade, respeitando os limites previstos em lei. Segundo ele, as despesas com pessoal permanecem abaixo do teto de 70% do duodécimo, e o gasto total do Legislativo não ultrapassa 2% da receita corrente líquida do município.
A Câmara também destacou que as diárias possuem caráter indenizatório, e não remuneratório, destinadas exclusivamente a custear alimentação, hospedagem e transporte urbano, conforme a Resolução nº 001/2025. Segundo a Casa, os pagamentos seguem “critérios objetivos e rigorosos”.
CASO ENVOLVENDO VEREADOR REPERCUTE NO ESTADO
O debate ganhou ainda mais repercussão após um vereador do município, Wanderley de Assis Batista Carvalho (MDB), conhecido como “Wan do Porto Vilma”, ser citado indiretamente em uma postagem nas redes sociais. Uma mulher relatou o fim de um relacionamento de 19 anos, sugerindo que viagens custeadas com dinheiro público ao Paraná teriam sido usadas para fins pessoais.
Procurado pelo JD1 Notícias, o vereador negou as acusações, afirmando que as declarações são “inverdades” e que estaria sendo alvo de tentativa de difamação. Wan ressaltou que todas as viagens tiveram caráter institucional, com autorizações legais, participação em cursos, reuniões técnicas e compromissos oficiais.
Segundo ele, não houve desvio de finalidade, nem uso de recursos públicos para fins pessoais, e toda a documentação e certificados estariam devidamente arquivados no município. O parlamentar também reforçou que questões pessoais não se confundem com o exercício do cargo público e reiterou seu compromisso com a legalidade, ética e transparência.
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Com tudo “dentro da lei”, como frisam os gestores, a pergunta que ecoa entre os moradores permanece simples e direta: o aprendizado adquirido em tantas viagens, especialmente a Maringá, tem se refletido em melhorias concretas para a população de Deodápolis?
Enquanto isso, cabe à sociedade acompanhar, questionar e avaliar se tanta capacitação fora do Estado está, de fato, voltando em forma de benefícios para quem paga a conta.
