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DEODÁPOLIS: Versão de Juninho Lima sobre R$ 200 mil é desmentida pelos registros da Prefeitura
Presidente da Câmara de Deodápolis afirmou que devolveu R$ 200 mil ao Executivo em abril e maio e relacionou parte do valor às famílias atingidas pelo granizo; porém, Prefeitura informa que apenas R$ 100 mil foram devolvidos após a tempestade
Deodapolisnews
O presidente da Câmara Municipal de Deodápolis, vereador Juninho Lima, não respondeu a reportagem do Deodapolisnews, mas rapidamente acionou os seus sites “parceiros” para tentar amenizar a situação e tentou explicar a devolução de recursos ao Executivo Municipal, mas a justificativa apresentada acabou levantando ainda mais questionamentos sobre os valores destinados às famílias atingidas pela forte chuva de granizo registrada no município em maio deste ano.
Segundo a versão divulgada pelo vereador, em determinado momento teria sido assumido o compromisso de devolver R$ 200 mil ao Executivo. Juninho afirmou ainda que R$ 100 mil já haviam sido devolvidos em abril e que, após uma conversa com o prefeito Jean Gomes, ficou acertado que esse valor seria considerado dentro do compromisso, sendo realizada uma nova devolução de R$ 100 mil em maio, completando os R$ 200 mil.
O problema é que essa explicação não bate com as informações oficiais repassadas pela própria Prefeitura de Deodápolis à reportagem do Deodapolisnews.
PREFEITURA CONFIRMA APENAS R$ 100 MIL APÓS O GRANIZO
Questionada sobre quanto efetivamente recebeu da Câmara para auxiliar as famílias atingidas pelo granizo, a Prefeitura informou que, após o evento climático ocorrido em 16 de maio de 2026, houve o ingresso de R$ 100 mil nos cofres municipais em 22 de maio, a título de devolução de duodécimo pela Câmara Municipal.
A Prefeitura também esclareceu que houve outras devoluções durante o ano, mas que elas ocorreram antes da tempestade de granizo.
Os registros contábeis apontam:
· R$ 90 mil, devolvidos em 12 de março;
· R$ 100 mil, devolvidos em 7 de abril;
· R$ 100 mil, devolvidos em 22 de maio.
Ao todo, as devoluções realizadas pela Câmara em 2026 somam R$ 290 mil.
Entretanto, os próprios registros municipais deixam claro que os dois primeiros valores, que totalizam R$ 190 mil, foram devolvidos antes do temporal e estavam relacionados ao contexto de apoio à realização da EXPOAD.
Já o único valor registrado após a chuva de granizo foi o de R$ 100 mil, depositado em 22 de maio.
Ou seja: não consta nos registros apresentados pela Prefeitura uma segunda devolução de R$ 100 mil após o granizo que, somada à primeira, totalizaria R$ 200 mil para atender as famílias atingidas.
E A FALA DE EDMILSON DA BANDA?
Outro ponto que chama atenção está em uma fala feita durante a própria sessão da Câmara Municipal.
Na ocasião, o vereador Edmilson da Banda cobrou o presidente Juninho Lima justamente sobre um montante de R$ 200 mil que, segundo ele, seria destinado às famílias atingidas pelo granizo.
Na fala, Edmilson afirmou:
“Então, presidente, nós temos esse montante que vai ser destinado para essas famílias de R$ 200 mil, já procura de imediato, comprar essas telhas e entregar, porque não está fácil. Por exemplo, vai ser feita essa devolução hoje, não é isso, presidente?”
A questão que permanece é simples: se naquele momento o valor destinado às famílias não era de R$ 200 mil, por que o presidente da Câmara não corrigiu a informação publicamente?
Se o compromisso era de apenas R$ 100 mil, seria esperado que Juninho esclarecesse imediatamente a informação apresentada pelo colega de plenário, principalmente porque a fala tratava diretamente de recursos que seriam utilizados para ajudar famílias que haviam perdido parte da cobertura de suas casas.
A TENTATIVA DE EXPLICAR SÓ AUMENTA AS DÚVIDAS
A nova versão apresentada pelo presidente da Câmara também chama atenção porque tenta juntar devoluções realizadas em momentos diferentes para chegar aos R$ 200 mil mencionados.
No entanto, conforme esclarecido pela Prefeitura, os R$ 100 mil devolvidos em abril ocorreram antes do granizo e, portanto, não podem ser apresentados como uma devolução realizada após a tragédia para atender às famílias atingidas.
A cronologia é objetiva:
12 de março: R$ 90 mil devolvidos pela Câmara.
7 de abril: R$ 100 mil devolvidos pela Câmara.
16 de maio: município é atingido pela forte chuva de granizo.
22 de maio: R$ 100 mil devolvidos pela Câmara.
Dessa forma, os números oficiais mostram que R$ 100 mil foram devolvidos depois do temporal, enquanto outros R$ 190 mil já haviam sido devolvidos anteriormente.
A tentativa de apresentar os R$ 100 mil de abril como parte dos R$ 200 mil destinados às famílias atingidas pelo granizo, portanto, não encontra respaldo na cronologia apresentada pela própria Prefeitura.
JUNINHO NÃO RESPONDEU À REPORTAGEM
Outro ponto que merece destaque é a postura adotada diante dos questionamentos.
Segundo a apuração do Deodapolisnews, o presidente da Câmara, Juninho Lima, não respondeu diretamente aos questionamentos feitos pela reportagem.
Posteriormente, porém, o vereador teria acionado veículos considerados seus “parceiros” para apresentar sua versão e tentar amenizar a repercussão dos questionamentos.
O problema é que a explicação divulgada precisa ser confrontada com documentos, datas e declarações feitas no próprio plenário.
E, neste caso, a pergunta continua sem uma resposta convincente:
Onde está o segundo repasse de R$ 100 mil, após o granizo, que completaria os R$ 200 mil anunciados para as famílias?
Até o momento, conforme os dados fornecidos pela Prefeitura, existe apenas um repasse de R$ 100 mil após o temporal.
Os demais R$ 190 mil devolvidos pela Câmara ocorreram antes da chuva de granizo.
Confira na integra a resposta da Prefeitura de Deodápolis:
Em atenção aos questionamentos encaminhados pelo Deodápolis News, referentes à devolução de recursos pela Câmara Municipal e às ações de atendimento às famílias atingidas pela tempestade de granizo, a Prefeitura Municipal de Deodápolis esclarece:
1. Quanto a Prefeitura recebeu efetivamente da Câmara para auxiliar as famílias atingidas pelo granizo?
Após o evento climático ocorrido em 16 de maio de 2026, houve o ingresso de R$ 100.000,00, em 22 de maio de 2026, nos cofres municipais, a título de devolução de duodécimo pela Câmara Municipal.
Os registros contábeis demonstram que a Câmara realizou outras devoluções ao Município durante o exercício — R$ 90.000,00 em 12 de março e R$ 100.000,00 em 7 de abril —, anteriores, portanto, à tempestade de granizo.
2. A Prefeitura recebeu somente R$ 100 mil da Câmara? Houve algum segundo repasse de R$ 100 mil?
Ao longo de 2026, a Câmara Municipal realizou devoluções de duodécimo ao Município que totalizaram R$ 290.000,00: R$ 90.000,00 em 12 de março, R$ 100.000,00 em 7 de abril e R$ 100.000,00 em 22 de maio.
As duas primeiras devoluções, no total de R$ 190.000,00, ocorreram anteriormente ao evento climático, no contexto do apoio à realização da EXPOAD. Após a ocorrência do granizo, consta nos registros contábeis municipais a devolução de R$ 100.000,00, realizada em 22 de maio.
Até a presente data, esses são os valores e as respectivas datas de devolução constantes dos registros contábeis do Município.
3. A Prefeitura chegou a cobrar da Câmara o restante dos R$ 200 mil anunciados?
Não houve cobrança formal.
A Câmara Municipal possui autonomia administrativa e financeira para gerir seu orçamento e realizar devoluções de eventual saldo de duodécimo. Dessa forma, o anúncio de intenção de devolução não representa, por si só, um crédito ou obrigação financeira exigível pelo Executivo.
A Prefeitura concentrou seus esforços na adoção das medidas emergenciais necessárias, utilizando os recursos disponíveis para garantir o atendimento das famílias atingidas.
4. Qual foi a destinação dos R$ 100 mil recebidos?
Os R$ 100.000,00 recebidos em 22 de maio ingressaram contabilmente como devolução de duodécimo, na fonte de Recursos não Vinculados de Impostos.
No atendimento à calamidade, entretanto, a necessidade financeira foi substancialmente superior a esse valor.
O Município adquiriu 684 telhas de fibrocimento de 2,44 m, 2.700 telhas de fibrocimento de 3,66 m e 5.000 parafusos, alcançando investimento de R$ 313.556,60 somente nessas aquisições emergenciais.
Portanto, os R$ 100 mil devolvidos pela Câmara contribuíram para o custeio das ações emergenciais, mas não foram suficientes para suportá-las integralmente. O Município precisou complementar os recursos necessários, sendo o investimento documentado nessas aquisições superior a R$ 313 mil.
5. Quantas famílias foram atendidas com os R$ 100 mil?
O relatório da Secretaria Municipal de Assistência Social informa que, até 14 de julho, aproximadamente 300 famílias haviam sido atendidas com itens destinados ao enfrentamento da calamidade pública.
Como o investimento total documentado nas aquisições foi de R$ 313.556,60, não é possível individualizar contabilmente quais famílias foram atendidas especificamente com os R$ 100.000,00 provenientes da devolução da Câmara.
Entretanto, para fins exclusivamente estimativos, considerando a proporção entre o investimento realizado e as aproximadamente 300 famílias atendidas, chega-se a um custo médio de cerca de R$ 1.045,19 por família. Nessa proporção, R$ 100.000,00 corresponderiam ao atendimento estimado de aproximadamente 95 famílias.
Esse quantitativo deve ser compreendido como estimativa proporcional, e não como número exato de beneficiários custeados pelos recursos da Câmara, uma vez que a necessidade de materiais variou conforme os danos de cada residência e o atendimento foi realizado de forma conjunta com recursos do próprio Município. O relatório, inclusive, esclarece que a quantidade necessária de telhas dependia de vistoria individual em cada imóvel.

